Quando a questão é emprestar dinheiro, devemos fazer algumas perguntas. Qual a intenção do nosso coração? Queremos ganhar dinheiro ou ajudar quem necessita de auxílio financeiro?

Não há problemas para um cristão emprestar dinheiro ou tomar emprestado quando realmente necessita. Tudo deve ser feito com equilíbrio e com responsabilidade. Lembremos das palavras de Jesus: "mais vale dar do que receber", mas caso empreste, não há erro nisso. 

E quanto a emprestar cobrando juros? Se a intenção é ajudar um irmão em dificuldade, por que cobrar juros? Deus alertou o povo de Israel quanto a esta prática: 

"Se fizerem empréstimo a alguém do meu povo, a algum necessitado que viva entre vocês, não cobrem juros dele; não emprestem visando a lucro".  Êxodo 22:25

Investindo os talentos

Se for objetivo investir - o que é diferente de ajudar - existem outros meios de empreender honestamente. Um cristão pode fazer uma aplicação financeira e receber juros sobre o investimento dentro dos parâmetros legais.

Vale lembrar que na parábola dos talentos - moeda corrente na época de Jesus - o servo que havia recebido cinco talentos investiu e ganhou mais cinco (Mateus 25:16). Já o outro servo que escondeu o único talento foi repreendido pelo seu senhor e questionado por não ter dado o dinheiro aos banqueiros para que recebesse de volta com juros (Mateus 25:27).

Podemos fazer operações financeiras e trabalhar na área, mas devemos estar atentos para não sermos corrompidos pelo dinheiro e servirmos a Mamom. Não podemos nos esquecer em nenhum momento dos ensinamentos do Senhor: 

"Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. Mateus 6:24 

Outro ponto que devemos ter cuidado: não realizarmos movimentação financeira ilegal. Emprestar dinheiro a terceiros cobrando juros pode configurar agiotagem - usura - que é uma prática ilegal e pode acarretar sérios problemas. Também devemos estar atentos aos esquemas de pirâmide financeira, que é uma operação fraudulenta e constitui crime.

 Ajudar ou lucrar, qual a intenção?

O profeta Ezequiel quando aborda acerca do pecado e a morte, usa a questão do empréstimo extorsivo como um dos fatores que trazem condenação. Ele exemplifica o comportamento na figura de um pai justo e um filho injusto. O pai segue as leis do Senhor:

"Ele não oprime ninguém, antes, devolve o que tomou como garantia num empréstimo. Não comete roubos, antes dá a sua comida aos famintos e fornece roupas para os despidos. Ele não empresta visando a algum lucro nem cobra juros. Ele retém a sua mão para não cometer erro e julga com justiça entre dois homens. Ele age segundo os meus decretos e obedece fielmente às minhas leis. Esse homem é justo; com certeza ele viverá. Palavra do Soberano, o Senhor" (Ezequiel 18:7-9). 

Já seu filho tem outro comportamento: "Oprime os pobres e os necessitados. Comete roubos. Não devolve o que tomou como garantia. Volta-se para os ídolos e comete práticas detestáveis. Empresta visando a algum lucro e cobra juros. Deverá viver um homem desses? Não! Por todas essas práticas detestáveis, com certeza será morto, e ele será responsável por sua própria morte"(Ezequiel 18:12-13).

Neste trecho percebemos que o grande "x da questão" não é o empréstimo em si, mas o coração voltado em obter vantagem indevida. O Pai empresta sem cobrar juros e sem visar lucro, isso demostra que na verdade o empréstimo tinha a intenção em ajudar e não na oportunidade de ganhar mais dinheiro. 

Ajudando com cautela

Caso sinta no seu coração de ajudar alguém emprestando alguma quantia, peça sabedoria e discernimento a Deus para fazer a coisa certa. Podemos abençoar com nossos recursos, mas da mesma forma podemos oprimir as pessoas. Por isso, devemos ter cautela para não deixarmos o dinheiro tomar a rédia das nossas vidas:

"Oprimir o pobre é ultrajar o seu Criador, mas tratar com bondade o necessitado é honrar a Deus." Provérbios 14:31 

Temos que ter cautela na hora de emprestar dinheiro a alguém. Analisar se temos o suficiente sem colocar as finanças da nossa própria casa em risco. Mesmo empestando dinheiro a um amigo - ou familiar - não há garantia, sempre haverá o risco de não receber o que emprestou de volta. Quem empresta tem que estar ciente desta possibilidade. 

Lembre-se, nosso Deus é dono de toda prata e todo ouro! Somos sustentados por Ele e recebemos dele o bem mais precioso: a nossa salvação em Cristo Jesus! Isto nenhum dinheiro pode comprar.